Yamagata Kenjinkai do Brasil     

 

História da Imigração Japonesa no Brasil
 

 

  A imigração japonesa no Brasil teve início com a introdução de trabalhadores nas lavouras de café, que sofria então com a falta de mão-de-obra. Em 1897, o primeiro navio rumo ao Brasil esteve próximo de levantar suas ancoras; porém, a travessia foi cancelada devido à grande queda do preço do café no mercado internacional, ocorrida naquele mesmo ano. A cotação chegou a cair mais de 30% em comparação ao seu auge. Devido a isto, em 1902, a Itália, que era o país que mais enviava trabalhadores às lavouras de café, interrompeu a imigração administrada pela Agência Oficial do Governo Estadual de São Paulo.
Assim, com a crise do café, a emigração cafeeira ao Brasil, que era vista como algo promissor no Japão, foi interrompida e, em 1899 teve início a emigração ao Peru. Até 1923, cerca de 17 mil pessoas emigraram ao Peru; porém, devido aos inúmeros problemas na estrutura de recepção e nas condições sociais e econômicas, acredita-se que os primeiros imigrantes tenham até mesmo vindo parar no Brasil.

A partir de 1904, o preço do café começa a mostrar sinais de recuperação. E no Japão, com a chegada da recessão ao término da Guerra Russo-Japonesa, novamente, a emigração ao exterior começava a ser alvo das atenções. Ao mesmo tempo, na América do Norte, intensificava-se o movimento de boicote à imigração japonesa. Assim, com a recuperação do preço do café e tendo também como pano de fundo a época áurea da borracha na Região Amazônica, em 1906, houve a solicitação para introduzir imigrantes japoneses nos cafezis do Estado de São Paulo, nos arrozais do Estado do Rio de Janeiro e na extração de borracha da Amazônia.

No dia 18 de junho de 1908, ancorava no porto de Santos o navio Kasato-Maru, trazendo os 781 imigrantes sob contrato agrícola e outros que vinham por conta própria, todos eles recrutados pela Comapnhia Imperial de Emigração (Kôkoku Shokumin Gôshigaisha, Presidente Ryo Mizuno). Este foi o início da imigração japonesa no Brasil e esta data, 18 de junho, está estabelecida como o Dia da Imigração Japonesa no Brasil.

Atualmente, estima-se que o número de descendentes destes imigrantes ultrapasse 1,35 milhão de pessoas. De acordo com os registros, 190 mil imigrantes chegaram ao Brasil nos primeiros 33 anos (1908 a 1941) e a população nikkei em todo o Brasil no ano de 1958 era de cerca de 430 mil pessoas. Os imigrantes vindos atnes da Segunda Guerra Mundial tinham a intenção de ficar temporariamente para juntar dinheiro; porém, a realidade é que a grande maioria teve que fixar residência em permanente. Como o princípio da imigração foi a introdução de mão-de-obra nas lavouras de café, por volta de 1910, teve início o movimento para a formação de Colônias. Quando um certo número de famílias japonesas se instalava em determinada localidade, nascia a Associação de Japoneses com o objetivo de comunicarem-se entre si e então dava-se um nome à Colônia. Dois ou três anos após se formar a Colônia, criava-se a escola de língua japonesa. Deve se ressaltar que a imigração anterior à Guerra era esmagadoramente familiar. Isto se deve às condições dos primeiros contratos de trabalho nas lavouras de café, que ixigiam a presença de pelo menos três trabalhadores por família. Desta forma, principalmente nos casos em que o chefe da casa ainda era muito jovem, foram formadas famílias simuladas com a inclusão de pessoas estranhas. E a composição deste grupo de imigrantes era de 57,1% de homens e 42,9% de mulheres.

A partir de 1929 teve início a imigração na Amazônia. Entre estes, destaca-se a chegada de 2100 pessoas em Acará (atual Tomé-Açu), até 1937. Em Parintins, de 1931 a 1937, ingressaram 248 formandos do colégio técnico Nihon Takushoku Gakkô e outras 150 pessoas. Nesta região, pode se destacar como produtos aperfeiçoados e cultivados pelos japoneses, a juta no período anterior à Guerra e a pimenta do reino no pós-Guerra.

O último navio a aportar em Santos antes da Guerra chegou no dia 13 de agosto de 1941, trazendo 417 pessoas. Após 33 anos desde a chegada do Kasato-Maru e totalizando 190 mil imigrantes, encerrava-se a imigração ao Brasil no período anterior à Guerra.

No pós-Guerra, devido à confusão gerada pela falta de informações, com os japoneses dividindo-se em katigumi (grupo que pregava a vitória japonesa na guerra) e makegumi (grupo que aceitava a derrota), criou-se uma visível má influência junto aos brasileiros, que acabou resultando no movimento anti-japonês. Por outro lado, o Japão, com o seu território reduzido devido à derrota na Guerra, recebia cerca de 6,3 milhões de pessoas de volta do exterior e enfrentava problemas de super-população e da falta de alimentos. Desta forma, o governo japonês não tinha outra solução senão reverter esta população excedente para a emigração ao exterior.

Para o reinício da imigração no pós-Guerra, o papel exercido por nikkeis residentes no Brasil foi de grande importância. Atendo ao movimento no Japão, que promovia a emigração ao Brasil, dois nikkeis se levantam pela causa: Kotaro Tsuji, de Santarém, no Estado do Pará, e Yasutaro Matsubara, de Marília, no Estado de São Paulo. Ambos haviam requerido ao então Presidente Getúlio Vargas, autorizações em seu próprio nome: Kotaro Tsuji para desenvolver atividades de colonização na Região Amazônica e Yasutaro Matsubara para gerar atividades de imigração e colonização nas Regiões Nordeste e Centro-Oeste. Matusbara já tinha relacionamento de longa data com Vargas, que por seu lado, interessava-se no cultivo de juta, desenvolvido por Tsuji, como uma nova atividade econômica na Amazônia. Após analizar cuidadosament o requerimento de ambos, o Presidente autorizou Kotaro Tsuji a acolher 5 mil famílias de imigrantes japoneses e Yasutaro Matsubara, outras 4 mil famílias. Como condição para a imigração, tornou-se obrigatório o ingresso nas colônias controladas diretamente pólo Governo Federal ou pelos Estados, além de cooperar e comprometer-se no programa de desenvolvimento do interior promovido pelo governo na época.

Fora desta rota, a Associação Ultramarina de Emigração do Japão havia começado, em 1951, um trabalho extra-oficial junto ao governo brasileiro, conseguindo com que 51 pessoas desembarcassem em Santos, em janeiro de 1953, sob o pretexto de chamado de parentes. E na realidade, este se tornou o primeiro grupo de imigrantes japoneses no pós-Guerra. O primeiro grupo de imigrantes de Tsuji aportou em Santos em fevereiro de 1953, enquanto o de Matsubara desembarcou no mesmo local em julho deste ano. Depois disso, surgiram outros grupos, como o de imigrantes para a sericultura, os jovens imigrantes da Cotia – a partir de 1955 – e o grupo de jovens para o desenvolvimento industrial. Dentre estes, a imigração dos jovens da Coti foi resultado do trabalho realizado pela Cooperativa Agrícola de Cotia, junto ao governo brasileiro, para a introdução de imigrantes através do “sistema de cooperativa agrícola”, com seu primeiro grupo, de 109 pessoas, chegando a Santos em setembro de 1955. Desde então, até 1958, considerada a primeira fase da imigração de jovens da Cotia, 1500 pessoas chegaram ao Brasil. A segunda fase foi requerida logo em seguida e, até janeiro de 1967, somando-se as duas etapas, totalizou-se 2508 imigrantes vindos através da imigração de jovens da Cotia.

Após a Segunda Guerra Mundial, a confusa comunidade nikkei só se uniu em 1952, às vésperas do IV Centenário da Cidade de São Paulo. O então diretor-geral da Tozan, Kiyoshi Yamamoto, visitou o cônsul-geral Shiro Ishiguro, do recém-estabelecido Consulado Geral, expondo a importância da comunidade nikkei participar das festividades do IV Centenáio.  Após passar por várias etapas, em 1953, foi estabelecida oficialmente a Comissão Colaboradora da Colônia Japonesa pró-IV Centenário da Cidade de São Paulo. No Japão, também foi criada em 1954, dentro do Ministério das Relações Exteriores, a Comissão Deliberativa para o IV Centenário de São Paulo.

Nesta festividade, foram promovidos a Feira Modelo Internacional, a Exposição de Selos Japoneses e o Festival Japonês, além da construção do Pavilhão Japonês nas dependeências do Parque Ibirapuera. A participação nas comemorações do IV Centenáio foi a maior atividade unificada que a comunidade nikkei pôde mostrar em todos os tempos, incluindo os períodos anterior e posterior à Guerra. Esta atividade unificada conseguiu controlar a comunidade nikkei, que havia causado grande confusão com o confronto entre os katigumi e o makegumi.

Em outubro de 1954, Comissão Colaboradora da Colônia Japonesa pró-IV Centenário da Cidade de São Paulo foi dissolvida. Havia oponiões de que era uma pena dissolver a primeira organização a nível nacional, constituída a tanto custo com a união de toda a comunidade nikkei. Além disso, havia ainda o problema concreto, que era o 50o. Aniversário da Imigração Japonesa, a ser comemorado dentro de três anos. Em dezembro de 1955, transferindo a estrutura Comissão Colaboradora da Colônia Japonesa pró-IV Centenário da Cidade de São Paulo, foi estabelecida a Sociedade Paulista de Cultura Japonesa, sendo escolhidos Kiyoshi Yamamoto como presidente e Kumaki Nakao e Américo  como vice-presidentes. A celebração comemorativa do 50o. Aniversário da Imigração Japonesa foi realizada magnificamente no dia 19 de junho de 1958, no Ibirapuera, reunindo 50 mil pessoas.

A Sociedade Paulista de Cultura Japonesa, estabelecida por ocasião do 50o. Aniversário da Imigração, ano a ano, veio exercendo o papel de órgão integrador da comunidade nikkei. E em setembro de 1968, o seu nome foi alterado, de Sociedade Paulista de Cultura Japonesa, para Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa.

Além desta organização, nasceram outras dentro da comunidade nikkei, como a Aliança Cultural Brasil-Japão (em 1956), a Beneficência Nipo-Brasileira de São Paulo (1959) e a Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil – Kenren (1966). Costumava-se dizer que quando três japoneses se reuniam, formava-se uma associação e, atualmente também, as organizações são muitas, como as associações japonesas das diversas regiões ou os grupos de assistência social, de educação, de cultura, de artes, de lazer, de esportes e de negócios.

Existem diferenças de acordo com os dados; porém, o número de imigrantes no período anterior à Guerra foi de cerca de 196 mil pessoas e no pós-Guerra, de 54 mil. Atualmente, acredita-se que cerca de 200 mil nikkeis encontram-se no Japão trabalhando como dekasseguis.

Os dados estatísticos mais confiáveis existentes do pós-Guerra são os números da “Pesquisa da Situação Real dos Nikkeis do Brasil”, realizada como parte das atividades comemorativas do 50o. Aniversário da Imigração. Começando em 1958, a pesquisa se estendeu por seis anos até ser concluída com a edição de um livro, mobilizando um total de mais de 6 mil pesquisadores. Observando dentro desta pesquisa a distribuição dos nikkeis por Estados, 75% residem no Estado de São Paulo, enquanto outros 18% no Estado do Paraná. Atualmente, é iminente a redução da população nas áreas rurais dos Estados de São Paulo e Paraná, a concentração populacional na Região da Grande São Paulo e o aumento de nikkeis nas Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste e no Estado de Minas Gerais, além de acreditar-se que o número de dekasseguis no Japão ultrapasse 200 mil pessoas.

Além do levantamento realizado nesta oportunidade, inúmeras outras Associações de Província têm feito o mesmo em comemoração ao 90o. Aniversário da Imigração Japonesa; porém, pode se dizer que chegar aos números reais, num território 23 vezes maior que o do Japão, é praticamente impossível. Apesar disto, acreditamos que conhecer as condições reais daqueles que têm origem na mesma Província seja algo necessário para buscar as raízes da própria imigração japonesa.

 
   
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